Narcisa acorda às 15:40h, ainda transtornada pela bebedeira da noite anterior. Não foi nada fora do costume. Aliás, ela bebeu muito menos do que já fizera outrora. Outras várias. E o que a faz despertar daquele sono quentinho e sozinho é um barulho eletrônico, mensagem de celular, dizendo "Eu não tinha o direito de te machucar. Eu não podia. Só me resta pedir perdão".
Não era exatamente da pessoa a qual ela esperava ouvir ou ler a frase. E foi normal a sua reação atônita de rir descontroladamente e logo após, cair no mar da fúria da tolice, mais uma vez.
"É incrível como a gente se subestima. Como a gente jura que cresceu, que evoluiu, que aprendeu com o que já passou. Mas nunca, jamais estaremos prontos pra vida como ela realmente é. Cada dia é uma surpresa, cada pessoa, uma incógnita. Cada vida, uma aprendizagem infinita. Um círculo vicioso de queda e recomposição, nem sempre nesta mesma ordem."
Narcisa ainda tem muito pela frente: muita discórdia, muita inveja, muitos problemas. Nesta noite fria de sábado ela terá trabalho. Ficar frente-a-frente com a figura geradora de todo o caos em sua cabeça...
Após meses de conflitos e aflições com sua tutora local. Após semanas de pensamentos da mais diversificada espécie. Após várias repetições de aceleração de batimentos cardíacos gerados por uma raiva inebriante e lágrimas a esmo ela retorna ao ponto de partida.
Sem dúvida alguma absolutamente nada acontecerá de especial nesta noite para mais ninguém, se não para ela.
Mais uma vez você está sozinha, mesmo quando sabe que tem gente ao seu lado se omitindo, Narcisa. Já é a segunda prova. A primeira você passou, e mais forte do que qualquer um poderia imaginar.
E agora, Narcisa?
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