sexta-feira, 27 de agosto de 2010

#Ah...

Eu nunca imaginei amar alguém como eu te amo.
Eu nunca imaginei algo como o que existe entre nós.

Ah, se os meus dedos fossem os teus,
se os teus lábios fossem meus
e essa distância não nos pertencesse mais...

Aliviaria não só a minha aflição,
como em seu coração semearia a paz.
Ah, essa saudade me abrasa e devora
como um predador em seu jogo insaciável, voraz.

Se as tuas pernas fossem as minhas
a me guiar pelos caminhos,
talvez eu não sentisse tanta fome de você;
Talvez eu não sentisse tanta sede do teu sugo,
inflamado de suor,
na tua pele branca e tão macia.

Ah, se o meu lar fosse o teu...

Tudo isso seria ainda mais real
do que tudo aquilo que eu imaginei.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

"miss your skin on my skin"

.larov

III- Larov

"Larov", amár gag la'shama'im,
"Hamerchák shebeynéynu hu ad;
Ach lifnéy zman alu lechán shna'im,
Uveynéynu nishár sentiméter echád."

Hila Plitmann

domingo, 15 de agosto de 2010

.Sobre Todas as Coisas

Pelo amor de Deus
Não vê que isso é pecado, desprezar quem lhe quer bem
Não vê que Deus até fica zangado vendo alguém
Abandonado pelo amor de Deus

Ao Nosso Senhor
Pergunte se Ele produziu nas trevas o esplendor
Se tudo foi criado - o macho, a fêmea, o bicho, a flor
Criado pra adorar o Criador

E se o Criador
Inventou a criatura por favor
Se do barro fez alguém com tanto amor
Para amar Nosso Senhor

Não, Nosso Senhor
Não há de ter lançado em movimento terra e céu
Estrelas percorrendo o firmamento em carrossel
Pra circular em torno ao Criador

Ou será que o deus
Que criou nosso desejo é tão cruel
Mostra os vales onde jorra o leite e o mel
E esses vales são de Deus

Pelo amor de Deus
Não vê que isso é pecado, desprezar quem lhe quer bem
Não vê que Deus até fica zangado vendo alguém
Abandonado pelo amor de Deus

Chico Buarque.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

.Wake Up, Narcisa!

É, narcisa... você não aprende nunca. Mais uma vez cometendo os mesmos erros...

Você se torna tão vulnerável, seu coração fala tão alto que a sua própria voz some. Qualquer vento contrário leva embora sua sanidade. E mais uma vez você se agarra ao que não te pertence, ao que não é seu. E nunca será, ainda mais com esse comportamento patético, não é mesmo?

Patético é o que você sente da forma como sente, Narcisa. Te transforma em patética, em fraca. E ninguém quer fracos por perto. Fracos pesam, atrapalham.

O que você sente, o que é seu, é seu e de mais ninguém. Já ouviu dizer que todo mundo morre sozinho? Já passou da hora de você entender que é assim que a vida é, injusta, e com você não seria diferente. Ora, uma vez que tudo é passageiro, você se acha digna de ser fixa por que?

Não é porque você quer que as coisas aconteçam que elas tem de acontecer. Não é esperar um telefonema, uma comunicação do além-túmulo ou qualquer outra espontaneidade alheia que te fará recebê-la.

Não é porque você ama que merece ser amada.

Não, não é assim. Infelizmente a vida não funciona na sua velocidade, na sua intensidade.
Mais um tombo, mais caquinhos pra juntar. Ou vai ficar esperando alguém fazer isso por você?

Wake up, Narcisa... Love is not for all, is not for you.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

- Costumes

" Eu pensei que pudesse esquecer
certos velhos costumes
Eu pensei que já nem me lembrasse
de coisas passadas

Eu pensei que pudesse enganar
a mim mesmo dizendo
que essas coisas da vida em comum
não ficavam marcadas

Não pensei que me fizessem falta
umas poucas palavras
dessas coisas simples
que dizemos antes de dormir

De manhã o bom dia na cama
a conversa informal
o beijo depois o café
o cigarro e o jornal

Os costumes me falam de coisas
de fatos antigos
não me esqueço das tardes alegres
com nossos amigos

Um final de programa
fim de madrugada
o aconchego na cama
a luz apagada

essas coisas só mesmo com o tempo se pode esquecer

E então eu me vejo sozinho como estou agora
e respiro toda a liberdade que alguém pode ter

De repente ser livre
até me assusta
me aceitar sem você
certas vezes me custa


como posso esquecer dos costumes
se nem mesmo esqueci de você..."


Grande Robertão... rs

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

-

quando a sorte não está ao lado, você conta com a razão.

e ela te faz ver coisas óbvias, mas que não estavam claras até então.

e até mesmo a distância se torna muito cabível nesse processo de entendimento e desprendimento.

é difícil, é confuso, é chato, é constrangedor, é gelado, é solitário.

afinal, nós vivemos sozinhos e morremos sozinhos.

e a distância que ainda nos mataria em algum momento de tanto ardor pode ser o fator que não nos deixe separar nunca pelo frio constante.

ora, uma vez que o brinquedo não funciona ou está sob manutenção, qual é a graça de brincar daquela brincadeira?

que venha o que tiver de vir, que seja como tiver de ser... no meu silêncio talvez encontre a solução, já que ela não virá de janela ou texto algum.

domingo, 1 de agosto de 2010

.parentese

primeiro você se assusta.
depois vai se acostumando com a idéia.
então aparecem os calafrios.

você se confunde pela primeira vez.

os calafrios se tornam quentes e aconchegantes.
as palavras começam a ter maior importância.
você sente falta de ouvir a voz.

você se confunde pela segunda vez.

de repente um pouco já não é nada.
os dias são curtos, mas o tempo não passa.
uma súbita vontade de mergulhar de cabeça.

você se confunde pela terceira e eterna vez.

e ao fundo, ainda existe um pingo de razão que diz:
"por favor, não se jogue! é muito alto dessa vez e a quebra é irreparável".

então você vive até o fim, com a confusão guardada.

só pra você.